Um caso de sucesso no futebol dos Estados Unidos

O livro Soccer: sucesso em Seattle, a ser lançado na próxima segunda-feira (21/03) em evento no Museu do Futebol, estádio do Pacaembu, deveria estar na cabeceira de onze em cada dez gestores ou diretor de clubes de futebol no Brasil.

Qual é o grande mérito do livro? Revelar com riqueza de detalhes a história de ascensão meteórica do Seattle Sounders FC, que em sete anos de existência passou de time sem expressão da costa oeste norte-americana para a maior franquia em valor de mercado na grande liga de futebol nos Estados Unidos, a Major League Soccer (MLS).
Como alcançar o sucesso em tão pouco tempo? Obviamente, a direção dos Sounders adotou uma série de medidas acertadas, obedecendo às melhores práticas de gestão e beneficiando-se de todos os fatores positivos que rodeavam o projeto. Mas o aspecto preponderante, aquele que “mudou o jogo”, foi ter compreendido a incrível paixão por esportes da torcida de Seattle, capitalizando ao máximo esse trunfo.
O contexto era favorável, porque uma parte dos fãs de esportes da cidade ficara órfã do Seattle SuperSonics, tradicional equipe da NBA que deixou a cidade para passar a competir como Oklahoma City Thunder.
Mas como os Sounders aproveitaram essa paixão? Dando poder à sua torcida. Sem a abertura para participar da tomada de decisões no clube, de forma rotineira e muitas vezes decisiva, os torcedores não retribuiriam com a média de público superior a 40 mil torcedores a cada jogo em Seattle (algo impensável atualmente no Brasil, até mesmo para o Flamengo, com 30 milhões de fãs espalhados pelo país).
O mais incrível, no entanto, é que a interferência da torcida na gestão não se limita a questões singelas: em momentos tão importantes quanto a escolha do nome do clube, ou a decisão sobre a permanência ou não do gerente geral – o diretor de futebol do time –, a voz da torcida se faz ouvir.
Além disso, também na relação com a maior organizada do clube, os Sounders se comportam de maneira especial. Os gestores da franquia esportiva aprenderam a respeitar a estrutura organizacional do grupo que os apoia, e a torcida retribui garantindo um controle rigoroso sobre os seus integrantes, e afastando os baderneiros de ocasião.
Não há como não se perguntar: se esse modelo faz sucesso e dá tão certo em um país como os Estados Unidos, que ainda está longe de ser uma potência global no futebol, por que ainda temos tantos problemas de gestão aqui no Brasil, pentacampeão mundial e que carrega a fama de “país do futebol”?
Não há como escapar da sensação de que um 7 a 1 diário nos persegue também nesse campo.
Com a palavra, os gestores brasileiros…

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