Por que a MLS não contrata jogadores pagando fortunas, como faz a China

Desde que a MLS se estabeleceu como uma liga com ambição de se tornar uma das mais importantes do mundo, muita gente temeu que os times americanos passassem a contratar jogadores estrangeiros de uma forma exacerbada. O receio era que os americanos começassem a levar as estrelas daqui para lá, tornando-se um destino comum para quem se destacasse abaixo do Equador, pelo poder econômico que se imaginou que times dos Estados Unidos teriam. Só que isso não aconteceu ainda. Estamos em 2016, 20 anos após a criação da MLS, e segundo o site Transfermarkt, a liga dos Estados Unidos foi a 23ª na temporada em gastos de transferência nesta temporada, com míseros € 16,13 milhões, muito atrás, por exemplo, da Liga MX, o Campeonato Mexicano, que gastou €67,46 milhões e foi a 10ª no ranking. Até a Super League, da endividada Grécia, gastou mais: € 31,3, 19º lugar entre as ligas que mais gastaram. O que se esperava dos americanos está sendo feito pelos chineses. E por que isso não aconteceu nos Estados Unidos?




Um negócio, acima de tudo

Os Estados Unidos podem ser o país da liberdade econômica, mas nos esportes, os controles são muito rígidos. Na MLS, não é permitido gastar desenfreadamente. A razão é simples: todos os clubes filiados à liga são sócios dela. Isso significa que se uma franquia gastar demais e quebrar, ela prejudica todas as outras. Além disso, os times precisam respeitar um teto salarial, algo que é comum nas ligas americanas (e tem uma inspiração na mais rígida delas, a NFL).

O que é chave para os clubes da MLS é ser sustentável. Os times estão na liga pelo negócio, não para serem brinquedos nas mãos de donos bilionários que querem se divertir. A liga e as franquias têm o objetivo de ganhar dinheiro, serem lucrativos e, para isso, precisam pensar e desenvolver o esporte a longo prazo. Não adianta pensar só no hoje, é preciso ter certeza que a conta fecha. Gastar com estrelas internacionais sem ter a convicção que isso gerará dinheiro para a liga é um movimento que os próprios donos dos times irão vetar.

LEIA TAMBÉM: O Strikers é o time mais brasileiro dos Estados Unidos: além do técnico, nove jogadores

Se você se perguntar como o Los Angeles Galaxy consegue ter suas estrelas, Robbie Keane, Steven Gerrard e Giovani dos Santos, seus três designados, é mais simples também: Los Angeles é uma das maiores cidades do país e, portanto, gera mais receitas em diversos aspectos, de vendas de camisas a direitos de TV. Por isso, o time consegue pagar suas contas e ter três jogadores conhecidos internacionalmente. Além disso, é um clube já estabelecido há longo tempo na MLS, ao contrário do Orlando City, que estreou em 2015.

Os times da MLS precisam funcionar como empresas. Devem gerar receita para poderem gastá-las. Uma lição que nós vemos os clubes brasileiros descumprirem incessantemente. Gastam mais do que têm, se endividam, atrasam salários, alguns quebram, não pagam impostos e entram em uma espiral de fracassos. No Brasil, os clubes são associações sem fins lucrativos e, tecnicamente, não podem quebrar. Nos Estados Unidos, são empresas, controladas com muito rigor pela liga à qual pertencem. Em esportes, nada de mão invisível do mercado: é preciso uma regulação forte das ligas para evitar desastres financeiros.

Teto salarial

Cada time pode gastar até US$ 3,66 milhões por ano, somando todos os salários. O elenco deve ter até 20 jogadores e um mínimo de 18. Significa que, com 20 jogadores, se todos ganhassem o mesmo, o salário médio do time seria US$ 183 mil por ano, ou US$ 15.250 mil por mês. Não é muita coisa, certo? Pois é. Isso não é muito atrativo para tirar jogadores do resto do mundo, mesmo de ligas como as sul-americanas. Perto do Brasil, então, não tem nenhuma chance para atrair os mais bem pagos.

Limite para jogadores designados

Apesar do teto salarial, há uma exceção na MLS: os jogadores designados. Cada time pode ter jogadores que fiquem acima do teto salarial e contarão, no balanço, como jogadores ganhando o valor máximo (US$ 457.500 por mês). Por isso é possível que times como o Orlando City contratem Kaká, o maior salário entre os jogadores de todas as Américas, com mais de US$ 6 milhões por temporada.

Chelsea, PSG, Manchester City? Nada disso: sem gastos ilimitados

Cada time ter apenas três jogadores designados é razoável. Então, por que esses times não contratam superestrelas internacionais para ocuparem essas vagas? Bom, a resposta é simples. Os donos de times da MLS não são exatamente bilionários do Oriente Médio ou russos, como vemos em times como Chelsea, Manchester City ou Paris Saint-Germain. Há donos estrangeiros, sim, mas os clubes precisam ser economicamente saudáveis. Ou seja: não dá para jogar no prejuízo. Gastar mais do que receber é um problema sério. É um problema de todos os times juntos.

LEIA TAMBÉM: Como é o futebol nas High-School nos Estados Unidos

Isso explica porque o time de Kaká, por exemplo, tem só o brasileiro como grande craque. Os outros dois jogadores designados não são estrelas, muito menos internacionais: o colombiano Carlos Rivas, de 21 anos, que veio do Deportivo Cali, da Colômbia; e o hondurenho Bryan Róchez, que veio do Real España, também de 21 anos. Dois jogadores que estão longe do status de estrela que Kaká possui. E como o brasileiro tem um salário astronômico para os padrões da MLS, então o time não tem condições de pagar outros jogadores com esse mesmo patamar.





O fantasma da falência da NASL

Nos anos 1980, a National American Soccer League faliu. Faliu justamente porque os times não tinham um controle financeiro adequado e gastaram mais do que podiam, pensando em um futuro projetado que nunca aconteceu. Basta lembrar do New York Cosmos que teve estrelas internacionais do tamanho de Pelé, Franz Beckenbauer e Carlos Alberto Torres nos anos 1980. Não foram os únicos.

LEIA TAMBÉM: Vale a pena tentar a vida como jogador de futebol profissional nos Estados Unidos

A gastança dos times, sem um crescimento estrutural da liga e do futebol local, trouxe um problema insolúvel que faliu todo mundo junto. Um fantasma que assola o futebol nos Estados Unidos desde então. Ninguém quer viver aquilo de novo. E esse é um fantasma que fez com que a MLS se estruturasse de maneira muito mais sólida.

É claro que querem crescer e contratar estrelas internacionais para sua liga, mas não querem fazer isso a qualquer custo. Gastar sem limites, como a China tem feito, seria um suicídio para a MLS. Por isso, dificilmente veremos os times americanos virem com força para contratar jogadores no Brasil. Por enquanto, continua sendo importante para a liga contratar atletas com fama internacional como Kaká, mais do que um destaque do futebol brasileiro como Jadson, por exemplo. Os resultados comerciais valem mais do que os esportivos, neste aspecto, para manter a sustentabilidade do negócio.

O futuro?

É possível que em alguns anos a MLS tenha mais capacidade de contratar jogadores como Ignacio Piatti, que saiu do San Lorenzo campeão da Libertadores de 2014 para o Montreal Impact. Ali, foi um negócio de oportunidade, mas no futuro, pode ser comum que um jogador troque as canchas sudacas por campos americanos. Para isso, porém, a liga terá que aumentar o seu teto salarial, torná-lo alto o suficiente para valer a pena para um jogador ir para os Estados Unidos e não para times do Oriente Médio, Japão ou Ásia em geral. Esses jogadores que não vão para a Europa podem se sentir mais atraídos a viver nos Estados Unidos.

Por enquanto, continuará sendo algo eventual, como foi o caso de Gilberto, ex-Portuguesa, que foi para o Toronto e, depois de passar pelo Vasco, voltou aos Estados Unidos para jogar pelo Chicago. O crescimento da MLS é muito mais gradual do que de uma liga como a China, que claramente joga no prejuízo. Ainda não dá para saber se a liga chinesa tem um plano, ou está só fazendo barulho. É difícil que gastar tanto dinheiro seja sustentável a longo prazo. Mesmo a médio prazo. A não ser que a política estatal inclua em seu plano o prejuízo a longo prazo. Esta é uma situação que não acontecerá nos Estados Unidos. Por isso, a MLS não fará como a China em termos de contratação de estrelas do futebol brasileiro, e por um bom tempo.



VIDA EUA: Como viajar dentro dos Estados Unidos

VIDA EUA: Os 10 maiores obstáculos para brasileiros que mudam para os Estados Unido

Leia Também
Vídeos

Você chega, diz a marca, o modelo e o ano do carro que você precisa das peças, retira o ticket com a localização dos veículos e pronto. Leve sua mala de ferramentas e retire você mesmo a peça que você precisa. o Local se chama U Pull & Pay, que significa, você pega e paga, e é assim mesmo, um self-service de peças usadas. No final, antes de sair, você mostra o que você retirou e faz o pagamento das peças. O preço é muito bom, bem mais em conta do que nos ferro-velhos comuns

Inscreva-se em nosso Canal do YOUTUBE !!
Curta nossa página do FACEBOOK !!


Apresentação – Ralf Furtado
Câmera – Jorge Lameiras

 

Falamos com Victor Pagliari Giro, mais conhecido como PC. Jogador que recentemente conquistou uma vaga no time titular do Orlando City, depois de passar por outros clubes dos Estados Unidos como o Fort Lauderdale Strikers e o Tampa Bay Rowdies. 

Inscreva-se em nosso Canal do YOUTUBE !!
Curta nossa página do FACEBOOK !!

  • PC você pode nos explicar o porque do apelido PC ?

– Bom, PC porque quando era garoto ainda, que jogava no Corinthians falavam que eu parecia outro jogador que o nome dele era Paulo César, aí como tinha essa semelhança minha com ele e até o jeito de jogar, canhoto a posição tudo, e aí começaram a me chamar de PC. E aí no começo eu até tentei mudar para deixar o meu nome mesmo, mas aí todo mundo começou a pegar PC, PC, PC… E aonde eu vou hoje, todo mundo me conhece como PC. Então hoje às vezes, quando me chamam pelo meu nome mesmo, até difícil eu atender, mas tranquilo, é um nome legal eu tô conseguindo levar bem.

  • Como é que se deu essa sua ascensão dentro do futebol americano, como é que você tá sentindo isso? Você acha que o mercado americano é um mercado interessante para para brasileiros que não tem espaço no Brasil, devido à concorrência, você acha que vale a pena investir aqui?

– Não só para brasileiros, mas como também para todo o jogador. Acho que o crescimento aqui no Estados Unidos está excelente, acho que em um futuro próximo vai estar uma liga brilhante. Já é uma liga muito boa, acho que com mais 3 ou 4 anos vai estar fantástica. Então acho que vale a pena sim, como tem muitos jogadores nomeados vindo para cá, como o Kaká, Schweinsteiger, entre outros. Então acho que tem tudo para para virar uma liga brilhante.

LEIA TAMBÉM: Quem é “PC”, jogador brasileiro em acensão no Orlando City?

Apresentação: Ralf Furtado
Câmera: Henrique Furtado

 

Canal EUA mostra como é uma casa modelo e como é a decoração dessas casas que são preparadas para deixar o comprador louco de vontade de adquirir um imóvel igual aquele no condomínio que está se formando. Todos os dias, centenas de novos condomínios são criados em todo o território americano. Os preços variam de acordo com a localização do terreno e a metragem da casa. A piscina e a área da churrasqueira geralmente não estão inclusos no preço da casa

Inscreva-se em nosso Canal do YOUTUBE !!
Curta nossa página do FACEBOOK !!


Apresentação – Ralf Furtado
Câmera – Jorge Lameiras

Voltar