Brasileiras ganham bolsa integral para estudar e jogar futebol nos EUA

Ana Paula Silva Santos e Thayla Ventura Grigório, de 19 anos, moram na Zona Leste de São Paulo e participaram de programa de Consulado Americano e Sesc




Com o inglês afiado e habilidade no futebol, duas ex-alunas da rede pública deixam a Zona Leste de São Paulo para fazer faculdade nos Estados Unidos no início de agosto. Elas ganharam uma bolsa-atleta das universidades William Carey University, no Mississipi, e Trinidad State Junior College, no Colorado, que inclui as despesas de mensalidade, hospedagem, transporte e alimentação. Em contrapartida, terão de tirar boas notas e jogar bola.

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Ana Paula Silva Santos e Thayla Ventura Grigório, ambas de 19 anos, jogam futebol desde criança, mas nunca imaginaram que o esporte as levaria tão longe. Na infância e na adolescência não muito distante tiveram de vencer o machismo para jogar.
Thayla gostava de bater bola com o irmão e os primos na rua. Ana Paula, desde bem novinha, já participava de times, mas sempre compostos por meninos. Só aos 14 anos integrou a primeira equipe formada apenas por meninas.




“Cansamos de ouvir coisas do tipo: ‘não tem louça para lavar?’, ‘futebol é coisa de moleque’, ou xingamentos como ‘mulher macho'”, conta Thayla. Ana Paula reforça que o preconceito não vem apenas de meninos, mas acontece também de serem julgadas por outras garotas.

A barreira do gênero, no entanto, nunca as impediu de jogar. Foi o talento e o gosto pelo futebol que levaram Thayla e Ana Paula a um projeto chamado Estrelas do Esporte, que alia a prática de esportes, curso de inglês e aulas de liderança exclusivamente para alunos da rede pública. O programa é uma parceria entre Sesc e Consulado Americano.

SONHO

Foi no “Estrelas” que elas se conheceram em 2013, ainda no segundo ano do ensino médio, e passaram a jogar juntas no Sesc Itaquera, além de fazer curso de inglês. Mas a vontade de fazer faculdade do exterior veio quando, durante o programa, viajaram para o estado do Tennessee, nos Estados Unidos, e conheceram algumas universidades.

“Eu tinha um sonho, mas achava que era impossível, que era algo só para ricos. Mas fui para o Tennessee e conheci o time feminino, conhecemos o estádio onde só tinha jogo feminino. Isso me marcou”, diz Thayla.
“As meninas americanas ficaram perplexas quando falamos da nossa realidade, do machismo, das coisas que ouvimos quando entramos em campo. Quando ouvimos o depoimento delas e entendemos o quanto elas são respeitadas, pensamos: é aqui!”, afirma Ana Paula.

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Animadas com a possibilidade de conseguir uma bolsa, as meninas chegaram até o EducationUSA, organização americana que apoia alunos brasileiros de baixa renda no processo de candidatura para as universidades americanas, inclusive arcando com os custos da inscrição (o application).

O application de atletas exige o currículo esportivo, vídeo e carta de recomendações de treinadores.

Ambas vão fazer graduação em educação física. Thayla quer trabalhar com futebol feminino e retribuir as oportunidades que teve. Ana Paula sonha em entrar para a Liga Nacional dos Estados Unidos. “Mas se eu não conseguir, eu tenho meu diploma, vou poder exercer minha profissão, ajudar pessoas como todos os meus professores já me ajudaram, e vou voltar feliz.”

A única desvantagem é a distância de 1.400 quilômetros entre a faculdade de uma e da outra, e da família, que ficará no Brasil. “Vou sentir falta da comida. Não é nem das coisas exóticas, é que adoro meu arroz e feijão”, ri Ana Paula.



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