Boom do futebol nos EUA atinge até as divisões inferiores

Quando o campeonato de futebol de 2014 da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, terminou, Mikey Ambrose decidiu começar sua carreira profissional mais cedo. Embora se sentindo atraído pela Europa e pela Major League Soccer, principal divisão de futebol da América do Norte, o zagueiro júnior de El Paso, no Texas, acabou se unindo ao Austin Aztex, um time novo da terceira divisão, a United Soccer League.

Jogadores do Armada FC, equipe de futebol recém criada nos EUA, celebram o primeiro gol da história do time, contra o Philadelphia Union, em jogo disputado em fevereiro. O Armada venceu por 3 x 1.Jogadores do Armada FC, equipe de futebol recém criada nos EUA, celebram o primeiro gol da história do time, contra o Philadelphia Union, em jogo disputado em fevereiro. O Armada venceu por 3 x 1

Ver uma aclamada promessa americana como Ambrose, há muito tempo membro das equipes nacionais juniores dos Estados Unidos, deixar a faculdade e entrar para as divisões americanas mais baixas seria impensável pouco tempo atrás.

A crescente popularidade do futebol profissional nos EUA e Canadá provocou uma explosão de novos times masculinos. Os melhores jogadores estão obviamente na MLS, que está lançando novos times em Nova York e Orlando e vem atraindo importantes jogadores americanos e estrangeiros.

O brasileiro Kaká, por exemplo, recentemente se mudou para a Flórida, onde vai jogar pelo Orlando City SC, time que estreia nesta temporada na MLS.

Kaká foi apresentado ao seu novo time, Orlando City da Flórida

O astro inglês David Beckham jogou pelo Los Angeles Galaxy, também da MLS, entre 2007 e 2012. Após se aposentar do futebol, em 2013, ele comprou uma equipe da MLS em Miami.

Mas o crescimento está em todos os lugares, inclusive nas ligas profissionais inferiores, que também estão se expandindo rapidamente.

A segunda divisão, a North American Soccer League (ou Liga de Futebol Norte-Americana, em tradução livre), ganhou duas novas equipes no ano passado e outra será lançada este ano, totalizando 11. A USL, depois de lançar quatro times em 2014, terá mais 13 este ano, elevando o total para 24. Outras equipes novas devem ser lançadas em 2016 nessas duas divisões, que estão entrando na sua quinta temporada.

O astro inglês David Beckham que jogou pelo Los Angeles Galaxy

“Há muita exuberância e otimismo no mercado. É uma coisa boa”, diz Sunil Gulati, presidente da U.S. Soccer, a agência que administra o esporte nos EUA.

A MLS é uma dos principais incentivadoras da expansão das divisões mais baixas. A liga, que está entrando em sua vigésima temporada, pode crescer de 20 para 24 equipes até o fim da década, e proprietários de equipes das divisões inferiores esperam estar na nova onda de expansão. Ao contrário da Europa e outros lugares como o Brasil, os clubes americanos não se movimentam entre as divisões através de vitórias e derrotas. Em vez disso, eles se candidatam para entrar em determinada divisão, o que é aprovado ou não pela U.S. Soccer.

Equipes com aspiração à liga principal, a MLS, têm modelos como a nova franquia Orlando City, que passou as últimas quatro temporadas na USL. A Sacramento Republic, que ganhou no ano passado o título da USL em sua primeira temporada e possui uma média de 11 mil fãs, recentemente anunciou investimentos dos proprietários do San Francisco 49ers, da NFL, a Liga Nacional de Futebol Americano, e do Sacramento Kings, da NBA, a liga de basquete dos EUA. Há muito tempo que as ambições de seus executivos de entrar na MLS são conhecidas.

O proprietário do Aztex, Rene van de Zande, possui objetivos semelhantes. “Nos próximos três a cinco anos, esperamos que haja mais oportunidades” para entrar na MLS, diz ele.

Oito times da MLS lançaram equipes na USL, dando a elas mais flexibilidade para adquirir e mudar os jogadores de posição. A atual campeã da MLS, o Los Angeles Galaxy, foi a primeira a fazer isso na temporada passada. Sua equipe, conhecida como Los Dos, atraiu pouco público, mas vários candidatos viram o potencial de entrar para um segundo time e, mais tarde, jogaram na MLS. “Seu desenvolvimento foi a um passo muito mais rápido do que seria se treinassem no time da primeira divisão”, diz Chris Klein, presidente do Galaxy.

A MLS não é o único motor de crescimento das divisões inferiores. Mark Frisch, proprietário da equipe Armada FC, de Jacksonville, disse que ele tinha a liga em mente quando criava uma equipe, mas no fim escolheu a NASL, a segunda divisão. “Eu realmente gosto da oportunidade que a liga oferece”, diz ele.

Os proprietários conectados regionalmente que amam futebol e conhecem seus mercados são essenciais para o futuro da NASL, segundo o comissário Bill Peterson. “Eles entendem qual é a nossa visão e concordam com ela”, diz. “E eles são passionais sobre o jogo em todos os níveis.”

Bill Peterson é comissário da NASL (North American Soccer League)

A NASL pretende chegar a 18 equipes por volta de 2018, de acordo com Peterson. “Estamos crescendo rapidamente”, diz. “Eu não acho que é rápido demais.” A USL, por sua vez, pode chegar a 40 times até o fim da década, diz o presidente Tim Holt.

A USL informou recentemente por meio de um anúncio que pretende solicitar à U.S. Soccer a aprovação da segunda divisão a partir da temporada de 2017, o que exigirá que os times tenham níveis financeiros, organizacionais e compromissos competitivos maiores, mas isso também deverá aumentar os patrocínios e os investidores, assim como o interesse dos jogadores.

Os fãs, calculados pelo número de público nos jogos da liga, estão respondendo. Com a ajuda da equipe Indy Eleven, que atraiu mais de 10 mil pessoas por jogo no ano passado, a média da NASL foi de 5.500 pessoas, a maior das quatro temporadas. A média de público na USL, de 3.100 por jogo, foi a maior em quatro anos.

Apesar disso, alguns times estão em dificuldades. O Dayton, clube da USL, caiu para a divisão amadora este ano, assim como a equipe de Charlotte, embora outra organização mais tarde tenha criado um novo time profissional lá. A equipe de Harrisburg está contemplando uma mudança como uma possível solução para os problemas relacionados com estádios.

Gulati, o presidente da U.S. Soccer, diz que considera o que está acontecendo no futebol como um período de crescimento. “Mas eu defino assim com cautela”, diz.

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